
Seguro viagem internacional: quando é obrigatório, quando vale a pena e quanto custa em 2026
Ninguém planeja passar mal durante a viagem. Mas acontece. Uma intoxicação alimentar em Cancún, uma torção no pé em Lisboa, uma crise alérgica em Orlando. O que era para ser a melhor semana do ano vira uma corrida para achar hospital, entender como funciona o sistema de saúde local e, principalmente, descobrir quanto isso vai custar.
A resposta curta: muito. Uma consulta de emergência nos Estados Unidos sai por volta de US$ 300. Uma internação pode passar de US$ 10.000 por dia. Na Europa, dependendo do país, a conta médica não é tão absurda. Mas o repatriamento sanitário (quando você precisa voltar ao Brasil em maca ou com acompanhamento médico) pode ultrapassar US$ 50.000.
O seguro viagem existe para cobrir isso. E em vários destinos, nem é questão de escolha: é obrigatório.
Em quais países o seguro viagem é obrigatório?
A obrigatoriedade varia por destino e pelo tipo de entrada. Estes são os casos mais relevantes para viajantes brasileiros em 2026:
Espaço Schengen (29 países europeus): a cobertura mínima de 30.000 euros para despesas médicas, hospitalização e repatriamento é exigência para pedidos de visto Schengen. Brasileiros em turismo são isentos de visto, mas as regras de entrada variam: a França, por exemplo, pode pedir o comprovante de seguro na fronteira. Confira a regra oficial do destino e leve a apólice. Inclui Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Islândia, Itália, Noruega, Polônia, Portugal, República Tcheca, Suécia, Suíça e mais 10 países.
América Latina: Cuba, Equador e Venezuela exigem seguro viagem. O Uruguai deixou de exigir cobertura de saúde ou seguro médico em junho de 2023, mas a recomendação continua valendo. O Chile também não exige seguro para entrada desde o fim da regra de cobertura para COVID-19, em 2022, embora a saúde privada possa custar caro.
Oriente Médio: as regras variam. Emirados Árabes Unidos, Israel, Jordânia, Líbano e Omã exigem seguro em situações de entrada aplicáveis ao viajante. No Catar, brasileiros com entrada sem visto por até 30 dias recebem recomendação oficial de contratar cobertura; o seguro aprovado passa a ser obrigatório para estender a estadia além desse prazo ou quando a viagem exige visto prévio.
Outros: Austrália (para determinados vistos), Belarus, Romênia, Rússia e Ucrânia.
E os Estados Unidos? Não é obrigatório. Mas viajar sem seguro para os EUA é uma aposta que pode sair cara. O sistema de saúde americano é privado, e uma apendicite de urgência pode gerar uma conta de US$ 30.000 a US$ 50.000. Nenhum plano de saúde brasileiro cobre isso no exterior.
ETIAS e seguro viagem: o que muda para brasileiros na Europa em 2026
O ETIAS (Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem) tem lançamento previsto para o último trimestre de 2026, mas a data exata ainda não foi divulgada. É uma autorização eletrônica, não um visto, para os países europeus participantes.
O que você precisa saber:
- Custo: 20 euros (valor revisado pela Comissão Europeia; isentos menores de 18 e maiores de 70 anos)
- Validade: 3 anos ou até o vencimento do passaporte
- Processamento: a maioria das aprovações sai em minutos
- Seguro viagem: é um documento separado do ETIAS; para turistas isentos de visto, confira a regra de entrada do destino e leve a apólice
Se quiser acompanhar as novidades sobre o ETIAS, faça o quiz de destinos e entre para nossa newsletter.
Quanto custa o seguro viagem em 2026?
O preço depende de três coisas: destino, duração da viagem e valor da cobertura médica. Para facilitar, montamos uma tabela com faixas reais de preço em 2026:
| Destino | Viagem de 7 dias | Viagem de 10 dias | Viagem de 15 dias | Cobertura sugerida |
|---|---|---|---|---|
| Europa (Schengen) | R$ 100 – R$ 280 | R$ 139 – R$ 400 | R$ 200 – R$ 500 | Recomendamos € 60.000 ou mais |
| Estados Unidos | R$ 140 – R$ 350 | R$ 200 – R$ 450 | R$ 280 – R$ 600 | Mínimo US$ 100.000 |
| América do Sul | R$ 60 – R$ 130 | R$ 80 – R$ 180 | R$ 110 – R$ 250 | US$ 30.000 – US$ 60.000 |
| Caribe | R$ 90 – R$ 250 | R$ 120 – R$ 350 | R$ 170 – R$ 450 | US$ 60.000 – US$ 100.000 |
| Ásia | R$ 100 – R$ 250 | R$ 140 – R$ 350 | R$ 220 – R$ 500 | US$ 60.000 – US$ 100.000 |
Traduzindo: para uma viagem de 10 dias para a Europa, o seguro custa entre R$ 14 e R$ 40 por dia. Para os EUA, entre R$ 20 e R$ 45 por dia. É menos que o preço de um almoço no destino.
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Qual cobertura contratar para cada destino?
Não basta comprar o mais barato. A cobertura precisa fazer sentido para onde você vai e para quem vai:
Europa (Schengen): para pedidos de visto, a cobertura mínima exigida é € 30.000. Para turistas brasileiros isentos, recomendamos € 60.000 ou mais, especialmente em países com custo médico alto como Suíça, Noruega ou Islândia; confira também a regra de entrada do destino.
Estados Unidos e Canadá: mínimo de US$ 100.000. O custo hospitalar americano justifica essa cobertura com sobra. Se tem mais de 60 anos, considere US$ 150.000.
América do Sul: US$ 30.000 a US$ 60.000 é suficiente para a maioria dos destinos. Chile e Argentina têm bom atendimento público, mas esperas longas.
Caribe: US$ 60.000 a US$ 100.000. Infraestrutura médica é limitada em ilhas menores, e evacuação aérea para o continente é cara.
Viajantes 60+: independente do destino, recomendamos cobertura mínima de US$ 100.000. Muitas seguradoras cobram mais para essa faixa etária, mas a diferença de preço é pequena comparada ao risco.
O que o seguro viagem cobre (e o que não cobre)
Todo seguro viagem internacional decente cobre pelo menos:
- Despesas médicas e hospitalares de urgência e emergência
- Atendimento odontológico de emergência
- Repatriamento sanitário (volta ao Brasil com acompanhamento médico)
- Translado de corpo em caso de falecimento
- Indenização em caso de extravio de bagagem
Coberturas adicionais que valem a pena considerar:
- Cancelamento ou interrupção de viagem (se você tem voo e hotel caros, essa cobertura se paga)
- Atraso de voo (reembolso de hospedagem e alimentação)
- Cobertura para prática de esportes (se vai esquiar, mergulhar ou fazer trilha, verifique se está coberto)
- Assistência jurídica no exterior
O que geralmente NÃO cobre: condições pré-existentes não declaradas, prática de esportes radicais sem cobertura específica, e qualquer situação em que o viajante esteja sob efeito de álcool ou drogas.
5 erros que as pessoas cometem ao contratar seguro viagem
-
Contratar pelo preço mais baixo sem ler a cobertura. Um plano de R$ 5/dia para os EUA com cobertura de US$ 15.000 não vai cobrir nem a entrada do pronto-socorro.
-
Achar que o cartão de crédito resolve. Alguns cartões platinum e black oferecem seguro viagem, mas a cobertura costuma ser limitada (US$ 25.000 a US$ 50.000) e o processo de acionamento é burocrático. Leia as condições do seu cartão antes de contar com isso.
-
Não declarar condições pré-existentes. Hipertensão, diabetes, problemas cardíacos. Se não declarar na contratação, a seguradora pode negar a cobertura exatamente quando você mais precisa.
-
Contratar depois de já ter saído do Brasil. A maioria dos planos exige contratação antes do embarque. Faça isso junto com a compra das passagens.
-
Não verificar se o plano cobre o destino inteiro. Vai fazer Europa + Turquia? Turquia não faz parte do Schengen. Confira se o plano cobre todos os países do roteiro.
Como escolher o melhor plano
Checklist rápido antes de contratar:
- Verifique a cobertura médica mínima para o seu destino (tabela acima)
- Confira se cobre seus esportes e atividades: esqui, mergulho, trilha
- Veja o processo de acionamento: app, telefone 24h, WhatsApp?
- Pesquise a reputação da seguradora: Reclame Aqui e SUSEP
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- Contrate com antecedência: idealmente junto com as passagens, para já ter cobertura de cancelamento
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Perguntas Frequentes
Seguro viagem é obrigatório para quais países?
Para quem pede visto Schengen (Europa), o seguro com cobertura mínima de 30.000 euros é exigência do pedido. Para brasileiros isentos de visto, a regra de entrada depende do destino: a França, por exemplo, pode pedir o comprovante na fronteira. Cuba, Equador, Venezuela, Emirados Árabes, Israel e outros também exigem seguro. No Catar, ele é recomendado para a entrada sem visto por até 30 dias e obrigatório ao estender a estadia ou quando a viagem exige visto prévio. O Uruguai não exige desde 2023, mas recomendamos a cobertura.
Quanto custa um seguro viagem internacional em 2026?
O preço varia de R$ 8 a R$ 45 por dia dependendo do destino e da cobertura. Para uma viagem de 10 dias à Europa, espere pagar entre R$ 139 e R$ 400. Para os EUA, entre R$ 200 e R$ 450 no mesmo período.
Seguro do cartão de crédito substitui o seguro viagem?
Na maioria dos casos, não. A cobertura dos cartões costuma ser limitada (US$ 25.000 a US$ 50.000), o acionamento é burocrático, e raramente cobre repatriamento sanitário. Para o Espaço Schengen, o seguro do cartão pode não atender à exigência mínima de € 30.000. Confira as condições do seu cartão antes de depender dele.
Qual a cobertura mínima recomendada para os Estados Unidos?
US$ 100.000. Uma consulta de emergência nos EUA custa em torno de US$ 300, um atendimento no pronto-socorro pode passar de US$ 2.000, e uma internação pode ultrapassar US$ 10.000 por dia. Para viajantes acima de 60 anos, recomendamos US$ 150.000.
O ETIAS substitui o seguro viagem na Europa?
Não. O ETIAS é uma autorização eletrônica com lançamento previsto para o último trimestre de 2026; a data exata ainda não foi divulgada. Depois haverá pelo menos seis meses de transição e pelo menos mais seis meses de graça, com regras diferentes. O seguro é um documento separado e sua exigência de entrada depende do destino.

Queila de Oliveira
Especialista em Viagens
"Apaixonada por conectar pessoas aos destinos que vão transformar suas vidas. Especialista em roteiros personalizados e viagens em família."
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