O Brasil tem uma variedade absurda de paisagens, culturas e experiências que a maioria dos brasileiros nem chegou a conhecer direito. O problema é que o mapa é grande demais, e os "top 10" genéricos costumam repetir os mesmos nomes de sempre.
Este guia vai além dos óbvios e ajuda você a entender qual destino faz mais sentido pro seu perfil em 2026.
Nordeste: mais do que praia
O Nordeste continua sendo o recorte mais buscado pelos brasileiros, e por boas razões. Mas ele não é homogêneo.
Fortaleza (CE) é ponto de partida para um dos destinos mais impressionantes do país:
- Jericoacoara, uma vila de dunas sem asfalto, com lagoas de água doce no meio do sertão e um pôr do sol que virou ícone. A logística para chegar é um pouco trabalhosa (parte do percurso é feita de 4x4), mas quem chega entende por que o esforço vale.
Lençóis Maranhenses (MA) ficam no Maranhão, com acesso a partir de São Luís ou Barreirinhas. Fortaleza fica a mais de 800 km dali, então não faz sentido encaixar os dois no mesmo roteiro sem planejamento. É literalmente um deserto com lagoas azuis e verdes no interior. Fotogênico demais, claro. Mas o passeio de jipe e o contato com a cultura local valem tanto quanto a foto.
Maceió (AL) aparece todo ano entre os destinos mais bem avaliados pelos turistas brasileiros, e não é à toa. Praias protegidas por recifes, piscinas naturais, culinária de frutos do mar fora do circuito turístico inflado. O Caribe Brasileiro não é só marketing.
Porto de Galinhas (PE) segue forte, especialmente para quem quer comodidade. Infraestrutura de hotéis e pousadas, as jangadinhas nas piscinas naturais, e acesso fácil pelo aeroporto de Recife.
Fernando de Noronha (PE) é destino de lista. Todo mundo quer ir uma vez, poucos vão porque a combinação de TPA + passagens + hospedagem sai salgada. Mas quem foi, foi. A preservação ambiental rigorosa faz com que Noronha continue sendo um dos lugares mais bonitos e limpos do Brasil.
Chapada Diamantina (BA) é o lado sertão do Nordeste. Trilhas longas (o Pati e o Diamantina são de nível avançado), cachoeiras enormes, grutas com pinturas rupestres. A base é Lençóis (BA), uma cidade histórica charmosa por si só.
Sul: destinos que crescem o ano todo
A Região Sul mudou. Gramado (RS) virou um fenômeno de turismo o ano inteiro, não só no inverno, e com isso os preços subiram. Ainda vale, mas exige planejamento e reservas com bastante antecedência.
Florianópolis (SC) é o destino mais buscado do Sul pelos brasileiros. Praias diversas (tranquilas e agitadas), surf, lagoa, gastronomia de frutos do mar, e uma infraestrutura urbana que facilita a estadia. Em janeiro e fevereiro, fica bem cheio. Março e abril são meses mais tranquilos e com preços melhores.
Beto Carrero World (SC), em Penha, é o maior parque temático da América Latina e funciona para qualquer perfil de viajante, não só família com criança. Montanhas-russas, shows, área de faroeste e uma expansão constante fazem do parque opção relevante o ano todo. Fica a pouco mais de uma hora de Florianópolis e combina bem com um roteiro pela Costa Verde e Mar catarinense.
Centro-Oeste e Cerrado: o interior que merece atenção
Chapada dos Veadeiros (GO) é cerrado puro: cachoeiras de água fria, trilhas, cristais e uma cena alternativa que dá personalidade própria ao lugar. É destino de fim de semana de Brasília, mas merece dois a três dias dedicados.
Bonito (MS) é um destino diferente de tudo. Rios de água cristalina onde você snorkela entre peixes coloridos, flutuação no Rio da Prata, mergulho na Gruta do Lago Azul. Tudo é controlado e com número limitado de visitantes por dia, o que mantém o lugar muito bem preservado. Não é barato, mas é único.
Norte e Amazônia: destinos que poucos brasileiros conhecem de verdade
Alter do Chão (PA) tem aparecido cada vez mais no radar de quem quer experiência amazônica com conforto. Praias de água doce no meio do Pará, com pousadas bem estruturadas e menos lotação do que Manaus.
Jalapão (TO) é para quem topa aventura em lugar remoto. Dunas douradas, cachoeiras, fervedouros onde a pressão da água mantém você boiando na superfície, e trilhas que exigem veículo 4x4 e um bom guia. Quem chega entende por que vale. O isolamento é o ponto, não o problema.
Monte Roraima (RR) é um dos destinos mais radicais do Brasil. A tepui (formação rochosa de topo plano) faz fronteira com Venezuela e Guiana. São cinco a seis dias de trilha, com guia indígena obrigatório. Para quem quer um destino que teste de verdade, não tem nada igual no país.
Cidades históricas: o que o interior de Minas tem a oferecer
Ouro Preto (MG) é patrimônio da humanidade e merece pelo menos dois dias. As igrejas barrocas, as vielas de pedra e a vida universitária dão um mix que poucas cidades brasileiras têm.
Tiradentes (MG) é menor e mais tranquila, com boa gastronomia, cachaça e arquitetura colonial preservada.
Paraty (RJ) combina centro histórico colonial com trilhas para cachoeiras, praias de difícil acesso e uma produção de cachaça artesanal que é levada a sério.
O que está em alta para 2026
Destinos que saíram do underground e viraram destaque nas buscas:
- São Miguel dos Milagres (AL), alternativa mais calma e menos cara que Maceió
- São Miguel do Gostoso (RN), para kite e windsurf
- Trancoso (BA), para quem quer sofisticação sem badalação excessiva
Como escolher o destino certo
A pergunta certa não é "qual o melhor destino do Brasil". É: qual é o melhor pra você, agora, com o tempo e o orçamento que você tem.
Praia e descanso total? Nordeste, especialmente Maceió ou litoral cearense fora de temporada.
Natureza e aventura? Bonito, Chapada ou Jalapão, dependendo do quanto você gosta de trilha.
Cultura e gastronomia? Minas Gerais ou Paraty.
Agito e vida noturna? Rio de Janeiro e Florianópolis em temporada.
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