De 11 de junho a 19 de julho, Estados Unidos, México e Canadá recebem o maior torneio de futebol da história. São 48 seleções, 104 partidas e 16 cidades-sede espalhadas por um território que, por si só, já seria destino de sonho para qualquer brasileiro.
Essas cidades não precisam da Copa para valer a viagem. O torneio é o gancho. Os destinos falam por conta própria.
Nova York / New Jersey
Nova York não cabe numa descrição. O Brasil estreia na Copa 2026 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, a 30 minutos de Manhattan. Quem vai até lá e passa só o tempo do jogo está perdendo a maior parte da experiência.
O que não perder:
A cidade faz mais sentido explorada bairro a bairro. Manhattan concentra os ícones: Central Park, Times Square, Empire State, Brooklyn Bridge e o High Line, um parque elevado construído sobre uma antiga ferrovia que cruza Chelsea com vista para o Hudson. Mas os bairros periféricos são onde a cidade de fato vive. DUMBO, no Brooklyn, tem as melhores fotos da ponte e boa cena de cafés. Williamsburg é agitado e alternativo. Astoria, no Queens, tem gastronomia étnica excelente sem pagar preço de Manhattan.
Para quem vai pela primeira vez:
Reserve pelo menos cinco dias. Compre ingressos das atrações principais com antecedência: Empire State, Estátua da Liberdade e o Summit One Vanderbilt esgotam rápido, especialmente em junho. Use o metrô para tudo: é mais rápido e muito mais barato que qualquer alternativa.
Dica local:
O pôr do sol visto do Top of the Rock (Rockefeller Center) tem ângulo melhor que o Empire State, porque você vê o Empire State na paisagem. Vale a diferença de preço.
Miami
Miami é a cidade americana que os brasileiros mais conhecem, e com razão: praia boa, clima quente, muita cultura latina e dá para se virar bem em espanhol. O Hard Rock Stadium recebe jogos da fase de grupos, incluindo uma partida da Seleção Brasileira.
O que não perder:
South Beach é o cartão-postal, mas o bairro que mais surpreende quem vai pela primeira vez é Wynwood. O que começou como galpão industrial virou o distrito de arte a céu aberto mais famoso dos EUA, com murais que mudam o tempo todo e uma cena de bares e restaurantes que cresce sem parar. Little Havana, na Calle Ocho, é a alma latina da cidade: charutos artesanais, café cubano servido num copinho, dominó na calçada e grupos de salsa tocando ao vivo no fim do dia.
Não fica só em Miami:
Os Everglades ficam a menos de uma hora de carro do centro. Um passeio de airboat pelos canais e ver jacarés de perto é uma das experiências mais marcantes do sul da Flórida. Key West, a três horas, é outra opção para quem tem tempo.
Dica local:
Miami em junho é temporada de chuva. As pancadas chegam rápido no fim da tarde e passam em 30 minutos. Programe praias pela manhã e deixe museus e bairros para o período chuvoso.
Los Angeles
LA não é uma cidade. É uma região. Entender isso antes de chegar evita a frustração de achar que vai dar para ver tudo em poucos dias. O SoFi Stadium, em Inglewood, é um dos estádios mais modernos dos EUA e recebe partidas importantes do torneio.
O que não perder:
Hollywood é para fotos e turismo rápido. O que realmente vale em LA: o Getty Center, museu de arte com entrada gratuita (só o estacionamento cobra) e uma arquitetura impressionante com vista da cidade. O Griffith Observatory, de onde se vê o horizonte de Manhattan Beach ao centro. Santa Monica e sua calçada beira-mar. Venice Beach, com artistas, skatistas e a academia ao ar livre que virou símbolo de uma certa ideia de Califórnia que o mundo inteiro conhece.
Gastronomia:
LA tem uma das melhores cenas de comida étnica dos EUA: ramen em Little Tokyo, tacos em East LA, dim sum no San Gabriel Valley, comida coreana em Koreatown. Nada disso sai caro. Quanto mais longe do turismo, melhor a comida, e mais vazio o restaurante.
Dica local:
Carro é obrigatório. O transporte público existe, mas é lento e não cobre os bairros que valem a visita. Uber funciona bem para distâncias curtas dentro de uma região, mas para cruzar a cidade sai caro.
Dallas
Dallas costuma ficar fora do radar de quem planeja uma primeira viagem aos EUA. Talvez por isso surpreenda tanto. O AT&T Stadium, em Arlington, é um dos maiores estádios cobertos do mundo.
O que não perder:
O bairro de Deep Ellum, a leste do centro, é a cena cultural mais viva da cidade: música ao vivo, bares, murais e restaurantes sem preço inflado de área turística. O Sixth Floor Museum, no edifício de onde Lee Harvey Oswald atirou em John Kennedy em 1963, é um dos museus mais bem executados dos EUA, independente de qualquer interesse em história americana. O Fort Worth Stockyards, a 30 minutos de Dallas, é um pedaço do Velho Oeste ainda em operação: rodeios, botas, chapéus e o maior rebanho de longhorns urbano do país desfilando pela rua todo dia ao meio-dia.
Gastronomia:
O churrasco texano é categoria à parte. Brisket, peito bovino defumado por 12 horas ou mais, servido em papel manteiga, sem molho, sem acompanhamento desnecessário. As filas nos melhores lugares começam antes da abertura. É assim mesmo, e vale.
Dica local:
Dallas é enorme e espalhada. Defina uma região por dia em vez de tentar cruzar a cidade. O metrô funciona razoavelmente para o centro; para Deep Ellum e Fort Worth, carro ou Uber.
Guadalajara
Guadalajara é a cidade que mais vai surpreender quem inclui o México no roteiro e ainda não conhece o país além de Cancún. Capital do estado de Jalisco, é de lá que vêm a tequila, o mariachi e o sombrero: as três imagens que o mundo inteiro associa ao México.
O que não perder:
O Centro Histórico é compacto e caminhável, com a Catedral de Guadalajara (construída em 1541, destruída e reconstruída duas vezes), o Teatro Degollado e o Instituto Cultural Cabañas, Patrimônio da Humanidade que guarda afrescos de José Clemente Orozco na abóbada da capela central. Tlaquepaque, a 20 minutos do centro, é cheio de galerias, artesanato e o Parián: um quiosque rodeado de bares onde grupos de mariachi tocam ao vivo o dia todo. A Avenida Chapultepec é a versão boêmia: feiras de arte durante o dia e bares lotados à noite.
Passeio obrigatório:
A cidade de Tequila fica a 60 km de Guadalajara. Sim, ela existe. É uma cidade colonial pequena rodeada de plantações de agave azul, com destilarias que recebem visitas e degustações. Dá para ir e voltar no mesmo dia.
Dica local:
Guadalajara é bem mais barata que as cidades americanas: hospedagem boa, comida excelente e transporte acessível. O prato símbolo da cidade é a torta ahogada: sanduíche de carne de porco afogado em molho de tomate e pimenta. Pede com molho médio na primeira vez.
Cidade do México
O jogo de abertura da Copa 2026 acontece em 11 de junho, no Estadio Azteca. O mesmo estádio onde Pelé levantou a taça em 1970. Onde Maradona fez o gol do século em 1986. Carregar essa história já seria suficiente para qualquer estádio do mundo.
A cidade ao redor tem 9 milhões de pessoas, mais de 150 museus e uma gastronomia reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Imaterial da Humanidade. Não dá para ver tudo, então escolha bem.
O que não perder:
O Centro Histórico tem o Zócalo, uma das maiores praças do mundo, a Catedral Metropolitana e o Templo Mayor: ruínas astecas descobertas enterradas sob a cidade colonial. Os murais de Diego Rivera no Palácio Nacional são de outro nível. Coyoacán é o bairro boêmio onde viveu Frida Kahlo: ruas coloniais, praça com coreto, mercado de artesanato e a Casa Azul, hoje museu. O Bosque de Chapultepec, com 686 hectares, abriga o Museu Nacional de Antropologia, com a maior coleção de arte mesoamericana do planeta.
Passeio de dia inteiro:
Teotihuacan fica a 50 km da cidade. As pirâmides do Sol e da Lua têm mais de 2.000 anos e essa era a maior cidade do hemisfério ocidental quando Roma ainda estava no auge. Sai cedo para evitar calor e filas.
Dica importante:
A Cidade do México fica a 2.240 metros de altitude. Quem não está acostumado sente cansaço, dor de cabeça e falta de ar nos primeiros dias. Beba muita água, evite álcool logo na chegada e não monte um roteiro intenso para o primeiro dia.
Uma janela que abre depois da Copa
Durante o torneio, hotéis e passagens nas cidades-sede chegam a triplicar de preço. Quando a Copa termina, em 19 de julho, essa pressão desaparece. Agosto e setembro são ótimos para visitar qualquer uma dessas cidades: preços mais baixos, menos turistas, tempo bom.
Se algum desses destinos ficou na sua cabeça, esse pode ser o momento de planejar com calma.
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