Em 2025 e 2026, a Ásia virou o destino do momento entre os brasileiros que viajam para fora da América. A combinação foi incomum: iene fraco tornando o Japão acessível, China concedendo isenção de visto para brasileiros, Tailândia firme como clássico de custo-benefício. De repente, a Ásia deixou de ser "sonho de uma vez na vida" e começou a entrar no planejamento de curto prazo.
Este guia passa pelos principais destinos com realismo: quanto custa, como é a viagem de lá, e quem se encaixa em cada lugar.
Japão: o sonho que ficou viável
O Japão entrou no radar do brasileiro de vez quando o iene enfraqueceu significativamente em 2023/2024. Em 2026, a moeda ainda está em nível favorável, o que torna a viagem mais acessível do que em anos anteriores.
Tóquio é uma das maiores cidades do mundo e uma das mais organizadas. A diversidade de bairros é impressionante: Shibuya e Shinjuku para a energia urbana moderna, Asakusa para o Japão tradicional e o Templo Sensoji, Harajuku para moda e cultura jovem, Akihabara para tecnologia e anime. A culinária é um capítulo à parte: o sushi, o ramen, o yakitori de rua e as lojas de convenience store (kombini) que servem comida boa a qualquer hora.
Kyoto é onde o Japão antigo ainda respira. Templos entre bambueiros, gueixas no bairro de Gion, o santuário Fushimi Inari com seus milhares de portais laranja (os torii). A maioria dos turistas passa 3 a 4 dias, mas dá pra ficar mais.
Osaka é a Tóquio mais descontraída e mais barata. Dotonbori com seus restaurantes iluminados e o takoyaki (bolinho de polvo) famoso, o Castelo de Osaka, e a posição central que permite visitar Nara (veados sagrados livres no parque) e Hiroshima de day trip.
Documentação: passaporte. Brasileiros não precisam de visto para estadas de até 90 dias.
Quando ir: primavera (março a maio) para as cerejeiras, outono (outubro a novembro) para as folhagens vermelhas. Inverno em Tóquio é frio mas sem neve na cidade. Verão é quente e úmido.
Custo: o Japão ficou mais barato, mas ainda exige planejamento. Voos de São Paulo levam entre 22 e 26 horas (com escala). Diária em hotel capsule ou hostel a partir de 3.000 ienes (cerca de R$ 130). Hotel 3 estrelas entre 10.000 e 20.000 ienes por noite. Comida de qualidade pode sair barata: um ramen excelente custa 1.000 ienes (R$ 45).
Tailândia: o clássico que não decepciona
A Tailândia é consistentemente um dos países mais populares para turistas brasileiros na Ásia, e com razão. Tem praia, templos, culinária com personalidade, vida noturna animada e uma relação custo-benefício difícil de bater no Sudeste Asiático.
Bangkok é caótica de um jeito que vai depender do seu perfil. Tuk-tuks no trânsito insano, templos Wat Pho e Wat Arun impressionantes, o mercado flutuante, massagem tailandesa legítima por R$ 60. Para quem curte a energia, Bangkok é eletrizante. Para quem precisa de calma desde o primeiro dia, pode ser demais logo de início.
Chiang Mai no norte é o contraponto. Cidade menor, cercada de montanhas, com templos no interior da floresta, culinária distinta do sul, e retiros de meditação. É destino pra quem quer outra Tailândia.
As ilhas: Koh Samui e Koh Phangan têm praias famosas e vida noturna (Koh Phangan ficou conhecida pela Full Moon Party). Koh Lanta e Koh Tao (esta última para mergulho) têm ambiente mais tranquilo.
Documentação: passaporte. Brasileiros não precisam de visto para até 60 dias (isenção ampliada em julho de 2024).
Quando ir: novembro a abril, estação seca. De maio a outubro chove bastante, especialmente no sul.
Bali (Indonésia): natureza, templos e bem-estar
Bali é um dos destinos mais instagramados do mundo, mas ainda entrega experiência real por trás das fotos. A ilha tem uma espiritualidade própria: os balineses praticam hinduísmo balinês, e cerimônias e oferendas nos templos fazem parte do cotidiano.
Ubud é o coração cultural de Bali: terraços de arroz, templos na floresta, aulas de culinária balinesa, retiros de yoga. Seminyak e Canggu são as áreas mais turísticas e badaladas, com praias de surf, restaurantes e vida noturna. Nusa Penida, uma ilha menor acessível de barco de Bali, tem as paisagens mais dramáticas: falésias, água cristalina, e o Kelingking Beach (aquela foto icônica de penhasco em forma de T-rex).
Documentação: passaporte válido. Visto on arrival na chegada (pago no aeroporto), US$ 35, válido por 30 dias, renovável por mais 30.
Quando ir: abril a outubro, estação seca. De novembro a março é temporada de chuva.
China: o destino que mais cresceu em buscas
Em 2025, a China concedeu isenção de visto para brasileiros, o que abriu o país para um público que antes evitava a burocracia consular. O resultado foi um aumento expressivo de interesse.
Pequim tem a Muralha da China (a seção de Mutianyu é menos lotada que Badaling) e a Cidade Proibida, dois dos pontos turísticos mais visitados do mundo. Mas a cidade também tem hutongs (bairros históricos de vielas), gastronomia de pato de Pequim, e um metrô moderno que conecta tudo.
Xangai é o oposto: modernidade absoluta, arranha-céus em Pudong, o Bund com seus edifícios art deco, e uma vida noturna comparável a qualquer metrópole ocidental.
Guilin e Yangshuo são onde o chinês de calendário fica real: montanhas de calcário em forma de cones emergindo do rio Li, campos de arroz. É paisagem única no mundo.
Documentação: passaporte. Brasileiros estão isentos de visto para estadas de até 30 dias (conforme atualização de novembro de 2024 — verifique sempre a validade do acordo antes de embarcar).
Como planejar uma viagem para a Ásia
A Ásia exige mais planejamento do que Europa ou América do Norte, especialmente para quem nunca foi. Algumas considerações:
Distância: de São Paulo para Tóquio são entre 22 e 26 horas de voo (com escala). Para Bangkok ou Bali, em torno de 24 a 28 horas. Planejar tempo de voo e fuso horário (entre 8 e 12 horas de diferença) é parte da logística.
Duração mínima: 12 dias para um país faz sentido. Combinar dois países asiáticos é possível em 15 a 18 dias, mas exige roteiro ajustado.
Vacinas: algumas destinações asiáticas recomendam hepatite A, tifóide e febre amarela (exigida em alguns países de entrada). Confirme com a clínica de viagem com antecedência.
Dinheiro: em países como Japão e China, o dinheiro físico (iene, yuan) ainda é amplamente usado. Cartão internacional é aceito em hotéis e estabelecimentos turísticos, mas em mercados locais e transporte o cash é melhor.
A Anhangá monta roteiros para Ásia, incluindo os menos comentados como Vietnã, Camboja e Sri Lanka. Se quiser uma proposta pro seu tempo e orçamento, é só chamar a equipe.